Fapema apoia preservação da memória do teatro de bonecos

A memória do teatro de bonecos e da cultura popular maranhense ganhou nesta sexta-feira (4), um novo espaço de preservação, conhecimento e difusão. Foi inaugurado oficialmente, em São Luís, o Museu Beto Bittencourt, que passa a abrigar parte do acervo de bonecos confeccionados pelo artista Humberto Henrique Bittencourt, conhecido como Beto Bonequeiro, além de peças produzidas por integrantes da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt (SACBB). O local, que fica situado no bairro do Cohajap, também abriga a Biblioteca Mário Meireles, que possui aproximadamente 3 mil títulos.
A inauguração reuniu artistas, pesquisadores, produtores culturais e pessoas ligadas ao cenário da cultura maranhense. O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), Nordman Wall, participou da solenidade, marcada também com o descerramento da placa do novo museu.
Idealizado pela pesquisadora Joana Bittencourt, irmã de Beto Bittencourt, o projeto “Viva! Teatro de Bonecos e Biblioteca Mário Meirelles: cultura, leitura e identidade para transformar” possibilitou a recuperação de 32 bonecos produzidos pelo artista, além da organização e valorização de outras peças que integram o acervo da SACBB. A iniciativa foi viabilizada por meio de recursos do edital da FAPEMA de Apoio a Acervos Museológicos, Históricos e Culturais do Maranhão.

Além da recuperação dos bonecos, o projeto prevê a realização de oficinas de confecção de bonecos ainda este ano, ampliando a proposta do museu para além da preservação. A ideia é fazer do espaço também um lugar de transmissão de conhecimentos, técnicas e processos de criação relacionados ao teatro de animação.
“Nosso espaço agora virou museu. A finalidade maior da exposição é manter a exposição de Beto e manter o acervo. Isso é muito importante porque ele foi pioneiro nessa arte no Maranhão. Esse patrocínio veio viabilizar nosso trabalho”, destacou Joana Bittencourt.
Para o presidente da FAPEMA, Nordman Wall, a inauguração representa um momento importante para a preservação da memória cultural do Maranhão. “Estamos num momento importante, inaugurando uma preservação histórica que orgulha a FAPEMA. É um espaço que reconhece o passado e inspira o futuro. Parabenizamos a professora pela iniciativa e a FAPEMA se sente honrada em poder contribuir para a preservação deste acervo”, afirmou.
O edital da Fundação contemplou 11 propostas e foi lançado em novembro de 2025. O objetivo é o de apoiar ações de gestão, conservação, organização e informatização de acervos documentais, museológicos e imateriais do Maranhão.
Para a professora Gisele Vasconcelos, que também é atriz e pesquisadora, a importância do novo espaço também está relacionada à necessidade de aproximar as novas gerações com os artistas que ajudaram a construir a história cultural do Maranhão.

Emocionada ao observar os bonecos expostos no museu, Gisele Vasconcelos ressaltou que a trajetória de Beto Bittencourt precisa ser conhecida. “Se a gente estuda a história do teatro e faz teatro é porque alguém veio antes da gente. E um deles é Beto Bittencourt. Eu digo que ele é meu padrinho. Muita gente que está começando em teatro, entrando na universidade ou em grupos nunca ouviu falar em Beto Bittencourt. Daí a importância desse memorial, onde podemos recuperar técnicas, processos, criação e história”, afirmou Gisele Vasconcelos. “Que mais editais possam vir deste gênero que é a preservação da nossa memória, da nossa história”, complementou.
Programação cultural marca abertura do museu
A programação de inauguração foi concebida como uma verdadeira celebração do teatro de bonecos. Após a recepção e o descerramento da placa, o público acompanhou a abertura oficial da exposição e uma programação artística iniciada com o Arauto, apresentado por Tony Costa, diretor artístico do Museu.
Também fez parte da programação artística, que contou com a participação do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, encenações do Boneco Palhaço, Flor do Mamulengo e trechos da peça Cabra Marcado pra Morrer.
Beto Bittencourt, referência do teatro de bonecos
Natural de Pinheiro, Humberto Henrique Bittencourt, o Beto Bittencourt, morreu em 15 de agosto de 1999, aos 36 anos. Conhecido como Beto Bonequeiro, tornou-se uma das principais referências do teatro de animação e da cultura popular do Maranhão. Seu trabalho com a confecção e manipulação de bonecos contribuiu de maneira significativa para a difusão do teatro de bonecos no estado.
Fotos: Divulgação