Um ano sem Biguá

Por Tânia BIguá

O tempo passa rápido! Mas a saudade não! Ela fica, faz morada, traz lembranças de uma vida toda, aperta o peito e escorre em lágrimas. Não é nada de: “Ah! Se eu pudesse voltar atrás!” Tem a ver com a maravilhosa oportunidade dada por *DEUS* para se construir uma história juntos: 49 anos.

Biguá e eu nos encontramos em setembro de 1973. Dois jovens de 18 anos e muitos sonhos.

Casamos em 1976 sem nada para dar um ao outro, a não ser o amor. Comunhão de bens que a Divina mão traria. O maior deles, nosso filho, Márcio Biguá, tornou-se nossa joia rara, preciosidade aguardada, curtida, amada. A bênção chegou no novo ano, em 03 de janeiro de 1980 para inaugurar uma nova vida. Veio muito mais que usar branco, pular sete ondas, comer lentilhas ou outra crendice qualquer.

Assim, as responsabilidades aumentaram. Foi o tempo do Biguá aproveitar para somar as atividades como atleta e treinador nas quadras e campos com os novos desafios jornalísticos. Embarquei junto! Nos descobrimos coordenando transmissões de jogos, elaborando reportagens para o rádio, TV e jornais.

O Biguá tinha ideias e ideais. Fez carreira como repórter de futebol pela Rádio Mirante AM. Também transmitiu inumeráveis jogos nas tardes de sábado pela TV Difusora. Apresentou o Maranhão Esportivo, inaugurando um estilo descontraído de fazer televisão, divulgando o esporte amador do Maranhão. Construiu um nome. Foi tão famoso quanto grandes celebridades maranhenses da sua época.

Conquistou a aposentadoria em 2014, ganhando tempo para a família, o vôlei e as viagens que tanto curtia, inclusive como missionário batista.

Mesmo com a descoberta do câncer já avançado em dezembro de 2021, ainda assim fez quatro viagens em 2022, cumprindo a agenda passada pela Confederação Brasileira de Voleibol.

De dezembro de 2021 a dezembro de 2022 foi-nos concedido um ano a mais de convivência. Bondade do *senhor*! Tempo suficiente para a nossa família amar e servir a quem tanto nos amou e serviu. Não foi fácil saber que esse tempo teria que acabar. Mas aceitamos os desígnios de *DEUS* com serenidade.

No dia 01 de dezembro o Márcio fez uma afirmação que até então nunca tínhamos comentado: “o papai está indo embora”. E eu respondi: ” *DEUS* é quem sabe”!

E o Biguá foi para o Paraíso no dia seguinte, no dia 02, às 19h. Doeu muito, mas o *espírito santo* nos consolou, nos fortaleceu e nos ajudou nessa difícil caminhada sem o Biguá.

366 dias depois as lágrimas ainda escorrem, não tem como retê-las. Nem queremos isso! É uma forma de aliviar o peito.

O tempo? Bom, ele tratará o que tem que ser tratado.

Nós, o Márcio, minha nora Brena, meus netos (Caio Lucas e Anna Mel) e eu, só temos que agradecer ao *SENHOR dono do tempo*, pelos anos que pudemos conviver, amar e sermos amados pelo nosso Biguá.

Foto: Divulgação

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