Carlos Lupi: ‘Vou carregar o caixão de muita gente’

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta terça-feira que, se houve desvio de recursos em sua pasta, como mostrado em reportagem de VEJA, eles foram feitos “em nome pessoal”. Tentando se segurar no cargo, o pedetista garantiu ter apoio de seu partido e disse que não cogita deixar o cargo – nem temporariamente. “Para me retirar, só abatido a bala”, disse em entrevista coletiva concedida em Brasília na tarde desta terça-feira.

“Quero saber se tem alguém no ministério que recebeu algum recurso, onde foi, como foi. Garanto que terá feito – se tiver, o que não acredito que tenha acontecido – em nome pessoal”, afirmou Lupi. Ele admitiu que “um funcionário aqui, outro acolá” pode ter ligação com as irregularidades, mas disse que não há qualquer relação da estrutura partidária com os desmandos: “Eu não posso ter controle sobre 10.000 funcionários”, justificou.

“Eu desafio, em 31 anos de vida pública, vocês encontrarem algo de corrupção na minha vida pessoal”, disse o ministro aos jornalistas. Apesar da aparente convicção de Lupi,  não há consenso mesmo dentre a bancada. O deputado Reguffe (PDT-DF) defende publicamente que Lupi se afaste do cargo enquanto pairarem sobre ele denúncias.

Ameaças – O ministro afirmou ainda ter conversado com a presidente Dilma Rousseff sobre o episódio. “Ela me perguntou: ‘Você luta até o fim?’ E eu disse: ‘Até o último minuto da minha vida’. Eu sou brasileiro, eu não desisto nunca. Eu vou continuar até ver isso devidamente esclarecido”, garantiu.

Lupi também desafiou os jornalistas: “Para desconforto de vocês, vocês vão ter que me ver em 2012, em 2013… porque a verdade é questão de tempo”, prometeu, antes de emendar outra ameaça: “Eu ainda vou carregar o caixão de muita gente que quer me ver carregado.” O ministro disse ter acionado a Advocacia Geral da União para se defender daquilo que considera “calúnias”.

O líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), enviou um recado ao governo na coletiva desta terça-feira. Segundo ele, se o ministro perder o cargo, o partido também deixará a base aliada. “Com o ministro, se necessário, sai o PDT do governo, tamanha a credibilidade que tem o ministro conosco”, disse Queiroz.

Revista Veja

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